domingo, 20 de outubro de 2024

Os dias se arrastam mas os anos voam

Não lembro quando foi que eu ouvi esta frase, mas ela faz cada vez mais sentido.

Hoje a minha filha, aquela que até ontem - eu juro - era um bebê banguela, está prestando seu primeiro vestibular.

VES-TI-BU-LAR. 

É meio surreal me dar conta disso. Penso nela que está nesse momento ainda fazendo a prova. O que será que passa na cabeça dela? Será que conseguiu lembrar de todas as mil fórmulas necessárias? (Um absurdo esse esquema de vestibular, mas é assunto pra outro post.) Será que está calma o suficiente? Será que vai prestar atenção pra não passar as respostas erradas pro gabarito?...

Eu, óbvio, torço por ela. Sei que ela tem a capacidade de passar, espero que ela tenha a serenidade necessária.

Mas tudo isso é só um pano de fundo para algo muito maior. Quando ela passar no vestibular ela vai embora. Embora. Vai sair desse lar onde viveu por 18 anos para viver novas aventuras, para encontrar seu lugar nesse mundão. E sim, foi pra isso que dediquei sangue, suor e MUITAS lágrimas estes anos todos, para que este momento chegasse mais cedo ou mais tarde. E eu sinto muito orgulho da pessoa que ela cada vez mais está se tornando.

MAS... 

Tem um lado meu que pensa: COMO ASSIM? 

Um luto, antecipatório, de me imaginar passando meus dias sem a presença diária dela. Sem o humor ácido e sarcástico, sem a companhia para assistir séries e animes, sem as mil conversas sobre assuntos seríssimos, sem a risada, sem vê-la.

E eu sei que em tempo vamos nos acostumar com esse novo estado de coisas, porque essa é a vida com todas as suas nuances, mas nesse momento meu coração está pequeno.

Criar uma pessoa é a tarefa mais árdua dessa vida. Nada me preparou pra isso. E esse trabalho é o trabalho de deixar ir. 

Mas só por hoje eu quero ser egoísta e ficar com ela só pra mim. Amanhã a gente volta pra programação normal de torcer pra ela passar e voar tão alto quanto ela puder.

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Será a vida um eterno reencontro de sentido?

 Às vésperas do meu aniversário de 46 anos eu queria poder dizer que já entendi tudo desta vida mas parece que quanto mais eu vivo mais pontos de interrogação aparecem, mais decisões eu preciso tomar, mais escolhas eu preciso fazer.

Queria que as coisas fossem bem mais simples mas acho que ficar neste eterno ruminar é algo meu mesmo.

Ultimamente estes pensamentos giram em torno de quem eu quero ser, o que quero fazer, qual o sentido de fazer as coisas que eu faço. Neste sentido, embora o Orkut tenha sido um lugar muito especial (e muitos fóruns dos quais eu participei antes também), as redes sociais se tornaram um lugar absurdamente inóspito para mim.

É divertido às vezes, relevante às vezes, mas de modo geral acho tudo aburdamente superficial, sem sentido, tóxico. Produzir e monetizar conteúdo é coisa para poucos que estão, inclusive, dispostos a trabalhar por e para o algoritmo. Eu não quero. E isso penaliza o conteúdo que eu produzo, por melhor que ele seja, o que gera uma frustração sem fim.

Tenho pensado o quanto a minha escrita era livre nos idos de 2005. Iniciei meu primeiro blog como um diário digital, um jeito de contar as experiências que eu vivia que muito rapidamente passaram a girar em torno de infertilidade, perda gestacional, filhos. Não lembro como as pessoas chegavam no blog, mas elas chegavam. E ficavam. E muitas estão comigo até hoje, quase 20 anos depois. (Meu Deus, como os anos voam...)

Era uma comunicação lenta: sempre foram textos enormes, reflexivos, sobre estas mil coisas que passam na minha cabeça na maior parte do tempo. Só que agora tudo é tão rápido, tão frenético, que parece que nada faz sentido. 

Todo mundo quer soluções rápidas, mágicas, perfeitas para problemas complexos e todo mundo tem uma solução deste tipo para oferecer. A sensação é que está todo mundo muito bem, obrigada, menos a gente.

Quero tentar retomar este blog. Esta escrita crua, sem imagens, sem pressa, sem prometer nada, sem vender nada, sem ter que falar pra um público específico. 

Vou jogar estes textos aqui, neste espaço virtual. Vamos ver pra onde eles vão me levar.

E pra você que gosta de textão e chegou até aqui, obrigada e até o próximo! Sinta-se em casa.