Não lembro quando foi que eu ouvi esta frase, mas ela faz cada vez mais sentido.
Hoje a minha filha, aquela que até ontem - eu juro - era um bebê banguela, está prestando seu primeiro vestibular.
VES-TI-BU-LAR.
É meio surreal me dar conta disso. Penso nela que está nesse momento ainda fazendo a prova. O que será que passa na cabeça dela? Será que conseguiu lembrar de todas as mil fórmulas necessárias? (Um absurdo esse esquema de vestibular, mas é assunto pra outro post.) Será que está calma o suficiente? Será que vai prestar atenção pra não passar as respostas erradas pro gabarito?...
Eu, óbvio, torço por ela. Sei que ela tem a capacidade de passar, espero que ela tenha a serenidade necessária.
Mas tudo isso é só um pano de fundo para algo muito maior. Quando ela passar no vestibular ela vai embora. Embora. Vai sair desse lar onde viveu por 18 anos para viver novas aventuras, para encontrar seu lugar nesse mundão. E sim, foi pra isso que dediquei sangue, suor e MUITAS lágrimas estes anos todos, para que este momento chegasse mais cedo ou mais tarde. E eu sinto muito orgulho da pessoa que ela cada vez mais está se tornando.
MAS...
Tem um lado meu que pensa: COMO ASSIM?
Um luto, antecipatório, de me imaginar passando meus dias sem a presença diária dela. Sem o humor ácido e sarcástico, sem a companhia para assistir séries e animes, sem as mil conversas sobre assuntos seríssimos, sem a risada, sem vê-la.
E eu sei que em tempo vamos nos acostumar com esse novo estado de coisas, porque essa é a vida com todas as suas nuances, mas nesse momento meu coração está pequeno.
Criar uma pessoa é a tarefa mais árdua dessa vida. Nada me preparou pra isso. E esse trabalho é o trabalho de deixar ir.
Mas só por hoje eu quero ser egoísta e ficar com ela só pra mim. Amanhã a gente volta pra programação normal de torcer pra ela passar e voar tão alto quanto ela puder.